O karatê teve origem no antigo Reino de Ryukyu (atual Okinawa) através da fusão de técnicas de luta nativas com o kenpo chinês, desenvolvendo-se sobretudo devido a proibições históricas do uso de armas que forçaram a população a aperfeiçoar o combate de "mãos vazias". No início do século XX, mestres como Gichin Funakoshi modernizaram a prática e introduziram-na no Japão continental, onde a arte foi sistematizada com a adoção de uniformes e graduações de faixas. Após a Segunda Guerra Mundial, o karatê espalhou-se globalmente, evoluindo de uma técnica de autodefesa estritamente filosófica para um desporto de prestígio internacional que equilibra a disciplina mental com a competição atlética, culminando na sua estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio. 


Gichin Funakoshi, amplamente reconhecido como o pai do karatê moderno, nasceu em 10 de novembro de 1868, em Okinawa, e faleceu em 26 de abril de 1957, em Tóquio. Ele iniciou seu treinamento marcial ainda na infância sob a orientação dos mestres Anko Itosu e Anko Asato, desempenhando um papel crucial ao introduzir e popularizar o karatê no Japão continental após uma demonstração marcante em 1922. Além de sistematizar o ensino, Funakoshi promoveu uma mudança filosófica essencial ao alterar o significado do termo karatê de "mão chinesa" para "mão vazia", enfatizando que a arte deveria ser um caminho de autodesenvolvimento e disciplina mental, e não apenas uma técnica de combate. Como fundador do estilo Shotokan, ele estabeleceu os "Vinte Preceitos do Karatê", que priorizam o caráter e a ética, deixando um legado que transformou uma prática de autodefesa regional em uma das filosofias de vida e esportes mais respeitados do mundo até hoje.